7 de mar. de 2011

Manifestações em Luanda

No último sábado o Movimento Patriótico para a Libertação de Angola (MPLA) convocou uma manifestação de paz, contra a manifestação que iria ocorrer na segunda-feira - um protesto ao governo de José Eduardo dos Santos, no poder há 32 anos. 

Recebemos pela internet esse link: http://revolucaoangolana.webs.com/ 

Acabei de ler no UOL que o protesto contra o presidente angolano, previsto inicialmente para a madrugada desta segunda-feira em Luanda, foi adiado para o período da tarde, depois que a polícia prendeu cinco pessoas. Estou no Brasil desde ontem, por isso não sei o que está acontecendo. 

A União pela Independência Total de Angola (Unita), principal partido de oposição, afirmou que não participa no protesto. O presidente da Unita disse que a intenção do governo é armar confusão que justifique o assassinato de adversários políticos. (http://www.ionline.pt/conteudo/108565-angola-a-manifestacao-7-marco-e-uma-armadilha-do-governo) 


Durante a semana, várias pessoas receberam uma mensagem ameaçadora por celular que dizia ser a Unita a responsável pelo protesto e que um assassino (não lembro o nome) era o líder desse movimento contra o governo. A mensagem pedia também que as pessoas colocassem suas bandeiras de Angola nas janelas durante essa segunda-feira. 


Desde sexta-feira os expatriados têm recebido orientação de permanecer em casa durante o feriado e as manifestações. Eu conheço gente que saiu pra abastecer a geladeira antes do fim de semana!

Com manifestações ou não, estou contente de estar de volta e a tempo pro Carnaval. 

21 de fev. de 2011

Povo do Kalahari

Visitamos uma Fundação na Namibia que apóia mais de 400 bushmen com ajuda de patrocínio alemão.


Os bushmen não possuem um nome exato. Na verdade antropólogos afirmam que esse termo é pejorativo. O grupo pode ser chamado de Khwe, Basarva, San ou por outros nomes, dependendo do lugar da Africa. Eles são os habitantes mais antigos da Africa Austral. Já falei deles num post antigo.  


Sempre acho muito nobre qualquer iniciativa de ajuda na Africa. Conhecer pessoas que realizam estes trabalhos é incrível. Mas, os alemães vão ter que me perdoar pela crítica à sua fundação.


O intuito da fundação é "inserir o povo San na vida moderna da Namibia". A fundação conta com um centro comunitário, uma escola e uma pré-escola que alfabetiza as crianças em inglês pra que elas possam frequentar escolas "normais" da Namibia. Mas a comunidade não vê significado na escola e a frequência é um problema.


Fiquei confusa porque achei que a cultura desse povo devia ser protegida e não transformada. Me parece muito óbvio que a escola não tenha sentido e que a vida em comunidade sim.


Devia ter me informado sobre o trabalho da fundação e aí não teria saído de lá arrasada, com vontade de dizer que aquele trabalho pode ter a melhor das intenções mas está equivocado. 





9 de fev. de 2011

Namibia mais uma vez

O final de semana passado começou na sexta, com o feriado 4 de Fevereiro (Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional em Angola)e fomos pra Namibia.


Voamos pra Ondjiva - no sul de Angola - sexta-feira bem cedo. Nos vôos domésticos cada passageiro senta onde bem quiser e o acento marcado no cartão de embarque é mera ilustração. 


Chegando na grande Ondjiva pegamos um taxi (lá existe) para a fronteira. Na estrada mais esburacada que eu já vi na vida, o motorista, sr. Gasolina, nos presenteou com suas músicas de Jesus e do "mundo mal e enganador", no último volume. 


Cruzamos a fronteira a pé e coincidência ou não, éramos os únicos brancos e fomos os únicos revistados pela polícia. 


Depois pegamos outro taxi pro nosso hotel, que fica a dois quilômetros do Parque Etosha.


Foi quase uma maratona, que ia se completar no domingo, mas valeu a pena.


Fotos da fronteira, do hotel e safaris...









19 de jan. de 2011

Feliz ano novo!

Eu na praia, bem longe da África, aproveitando minhas férias, querendo esquecer de Luanda... abro a revista Super Interessante e pimba.
A edição de janeiro fez uma listinha das "cidades mais caras do mundo". O continente africano tem três cidades entre as dez mais caras:

1º Luanda, Angola
2º Tóquio, Japão
3º Jamena, Chade
7º Libreville, Gabão
21º São Paulo


Só pra exemplificar, enquanto o aluguel de um apartamento de dois quartos, num prédio antigo, sem elevador e no centro da cidade custa mais de cinco mil dólares por mês, um pé de alface pode sair por 12 dólares. 

5 de dez. de 2010

Se não queria vai ficar querendo

Em Luanda, a Rua da Samba é como se fosse a Marginal Pinheiros dos paulistas, ou a Avenida Brasil dos cariocas (numa comparação meio esdrúxula mas que faz entender). 

Em resumo, ela liga uma região que é basicamente de comércio, a "Cidade", e uma região residencial, Luanda Sul. Como não poderia ser diferente, o trânsito é caótico das seis às dez da manhã pra ir à cidade e depois das cinco da tarde pra voltar à Luanda Sul.

Até aí tudo normal pra uma cidade em crescimento e com deficiência no transporte público. Agora imagine se colocassem uma dúzia de faixas de pedestre na Marginal Pinheiros. A Samba é assim, não só caótica mas muito perigosa pra pedestres.

A maioria das pessoas atravessa em qualquer lugar, menos nas faixas de pedestre - que aqui chama passadeira - e muito menos na passarela. 

Me pergunto se logo vão fazer o mesmo que na estrada de Viana, com as cercas de arame farpado embaixo da passarela. E quem não queria usar a passarela vai passar a usar na marra... 





... ou vai atravessar onde acaba a cerca, como essa turma aqui.

24 de nov. de 2010

Joanna

Ontem foi o enterro do bebê da minha assistente, um dia depois do parto. 

Angola é o país com maior taxa de mortalidade infantil de crianças com menos de 1 ano.

A Sra. Estatística não mente.

16 de nov. de 2010

Jogo dos 7 Erros

Terminaram a cozinha da escola essa semana, mas tem alguma coisa errada nela...



10 de nov. de 2010

Pega ladrão

Roubaram o computador do Misafir. Estava em cima da mesa dele, dentro da sala dele, no prédio do escritório dele, cheio de funcionários como ele. 
Por essa ele não esperava.

Baleias em Luanda








*As fotos não são minhas... infelizmente!

7 de nov. de 2010

Férias

Desculpem a falta de posts mas saímos numas pequenas férias para a Turquia. 
Descobrimos que os turcos aprenderam a dirigir como os Angolanos, ignoram o farol vermelho, estacionam em fila dupla, param no meio da rua pra descarregar pssageiros, causando o maior trânsito.
Ficamos pasmos com a beleza de Capadoccia, Pamukkale e Ephesus.
O Rodrigo deve ter um tataravô turco, porque em todo lugar as pessoas diziam que ele parece turco.
O nomeei de Rodrigo Misafir, já que essa palavra estava em todo lugar que fomos.
Agora começamos contagem regressiva pra passar Natal e Reveillon no Brasil.
Faltam menos de seis semanas!

Sra. Misafir  

30 de set. de 2010

Rádio Coifa

Em casa não é preciso ligar o rádio pra escutar música.
Não, não é preciso eletricidade.
Nem rádio pra falar a verdade.
É só ir até a cozinha e escutar a rádio do vizinho pela coifa. 

27 de set. de 2010

Eletrocutando

Compramos raquete que eletrocuta mosquitos.

Sem compaixão mato uma média de 12 pernilongos por dia. Por mês são 360 mosquitos. 4320 mosquitos por ano. 8640 mosquitos, o casal. 

Mas perto das 3000 crianças que morrem todo dia de malária, isso não é nada. Comparado à quantidade de crianças com dano cerebral deixadas em orfanatos, é ridículo. 

Para Jeffrey Sachs, diretor do Earth Institute da Universidade de Colombia, "O controle da malária é a maior barganha do planeta. Um estudo promovido por minha equipe revelou que com uma cobertura abrangente com mosquiteiros e medicamentos, e o uso de inseticidas para ambientes internos pode sair por US$ 3 bilhões por ano, nos próximos anos, o que significa somente US$ 3,00 para cada pessoa com alta renda do mundo. Em outras palavras, o equivalente a dois dias de gastos no Pentágono poderia salvar mais de um milhão de vidas por ano. Além disso, esses gastos diminuirão ao longo dos anos com a redução das taxas de infecção. Mas o lucro não está em “apenas” salvar vidas humanas. O ganho econômico para a África chegaria rapidamente a uma dezena de bilhões de dólares por ano, com a redução direta dos gastos para o tratamento da doença, aumentando assim o crescimento econômico da região."*

Doações podem ser feitas para organizações como a Malaria No More (www.malarianomore.org).

*na revista Scientific American Brasil.