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3 de set. de 2010

Moçambique

Em Maputo tá todo mundo dentro de casa esperando a poeira baixar. Vi esse artigo do Financial Times e fiz um Control C Control V aqui:


Crescem as preocupações quanto ao suprimento mundial de alimentos

Javier Blas, Courtney Weaver e Simon Mundy
Londres, Moscou e Johannesburgo



A Rússia anunciou ontem uma prorrogação de 12 meses da suspensão das suas exportações de grãos, fazendo com que aumentassem as preocupações relativas a um retorno da escassez de alimentos e das rebeliões de 2007 e 2008 que se espalharam pelos países em desenvolvimento que são dependentes da importação desses produtos. 



O anúncio, feito por Vladimir Putin, ocorreu no momento em que a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) solicita uma reunião de emergência para a discussão da escassez de trigo e quando rebeliões em Moçambique provocaram a morte de sete pessoas. 

A convulsão social em Maputo, na qual 280 pessoas ficaram feridas, ocorreu após a decisão do governo de aumentar o preço do pão em 30 centavos. A polícia abriu fogo contra os manifestantes quando milhares deles saíram às ruas para protestar contra o aumento, queimando pneus e saqueando armazéns de alimentos. 

Embora autoridades e comerciantes do setor agrícolas insistam em dizer que os suprimentos de trigo e outros grãos são maiores agora do que em 2007 e 2008, o governo teme que as violentas rebeliões de Moçambique possam se repetir. 
A escassez de alimentos de 2007 e 2008, a mais grave em 30 anos, provocou rebeliões populares em diversos países, desde Bangladesh até o México, e contribuiu para provocar o colapso dos governos do Haiti e de Madagascar.

O anúncio feito pelos russos de que a proibição da exportação de grãos do país, anunciada no mês passado, será prorrogada até o final de dezembro de 2011 fez com que os preços do trigo e de outros cereais disparassem, atingindo o patamar mais alto em quase dois anos. 

A FAO declarou que “a preocupação quanto à possibilidade de uma repetição da crise de alimentos de 2007 e 2008” resultou em “uma quantidade enorme” de questionamentos por parte dos países membros. “O objetivo desta reunião é fazer com que os países exportadores e importadores participem das iniciativas para conter o problema”.

A Rússia é tradicionalmente o quarto maior exportador de trigo do mundo, e a proibição das exportações do produto já obrigou os importadores do Oriente Médio e do Norte da África, os principais compradores, a procurar suprimentos na Europa e nos Estados Unidos. 

Vladimir Putin afirmou que Moscou “só poderá cogitar a suspensão da proibição das exportações quando a safra do ano que vem for colhida e a Rússia souber com certeza qual é o tamanho do seu estoque de grãos”. Ele acrescentou que a decisão de prorrogar a proibição tem como objetivo “acabar com a ansiedade desnecessária e garantir um ambiente empresarial estável e previsível para os indivíduos e companhias que atuam no mercado”. 

“Isso é muito sério”, declarou Abdolreza Abassian, da FAO, em Roma. “Durante dois anos seguidos as exportações russas provocam bastante distúrbio”. 

Dan Manternach, economista especializado em comércio de trigo da Doane Agricultural Services, em Saint Louis, acrescentou: “Este é um alerta para as nações importadoras quanto à confiabilidade da Rússia”.

Jakkie Cilliers, diretor do Institute of Security Studies da África do Sul, disse que existe o temor de uma repetição dos protestos de 2008: “Isso certamente fortaleceu um retorno dos militares à política na África”. 

Ontem o preço do trigo chegou a 231,50 euros (R$ 512,15) a tonelada, quase alcançando o maior valor em dois anos, registrado no ano passado, que foi de 236 euros (R$ 522,10). O preço do trigo subiu quase 70% desde janeiro último, e os analistas preveem novos aumentos devido à decisão da Rússia e às preocupações quanto à quebra da safra australiana provocada por fatores climáticos.

9 de dez. de 2009

Cerimônia de iniciaçao

Vídeo da cerimônia de iniciaçao de meninas - parte da dança.

8 de dez. de 2009

Os homens e seus rituais...

Já chegamos no Brasil e este deve ser meu último post deste ano. Sem choro-nem-vela, 2010 tem mais de Moçambique, Angola e quem sabe Botswana? ou Zimbábwe... A África é grande e assunto nao vai faltar.
Estas fotos sao de uma cerimônia de iniciaçao de meninas da tribo Maconde. É um ritual que marca a passagem da infância para a vida adulta. Meninas de 10 e 11 anos sentam-se em esteiras, sao molhadas, raspam seus cabelos e cobrem suas cabeças. As pessoas dançam sua passagem e depois elas passam 30 dias em cativeiro, apenas com mulheres aprendendo sobre "ser mulher".
Os Macondes estao presentes em Moçambique, Quênia e Tanzânia. Em Moçambique a colonizaçao portuguesa converteu grande parte dos Macondes ao catolicismo.
A língua oficial dos Maconde é o Chimakonde. Em 1997 a populaçao Maconde em Moçambique foi estimada em 1 370 000.
Tentar explicar o que foi essa experiência seria inútil, ou ao menos confuso.








4 de dez. de 2009

Feira do Pau

Sábado de manha fui às compras com uma amiga também brasileira (Claudia debutando na minha blogosfera!). Pra variar esquecemos o protetor solar e tostamos nossa nuca de novo.
Na "feira do pau" se o preço começa em 2000 pode chorar que chega nos 950.
No meio da feira um senhor brasileiro me chama de canto e pergunta: - Qual você diria que é o preço justo de uma caixa de madeira dessas?
Foi fácil responder ao brasileiro, porque a Claudia já tinha chorado o preço da caixa até nao poder mais e o negociante faria por 350 o que no início era 500.
Mas no começo a gente fica confuso e com remorso de pagar menos (eu ficava)... depois entende que nem o vendedor sabe explicar o preço que poe nas mercadorias. Ele olha pra sua cara e chuta bem alto se você é branco e estrangeiro.
Enquanto você negocia o preço com um vendedor vem sempre outro do seu lado e fica sinalizando que faz um preço melhor pela mesma coisa. Fica mostrando o produto dele por trás do vendedor com quem você está negociando, até esse perceber. Aí eles começam a discutir...
Mais divertido e autêntico que shopping, só me irrita quando estou saindo da feira e vem meia dúzia de ambulantes atrás tentando que eu faça minha última compra. Usam a técnica do desconto: - Amiga, vou fazer preço bom... leva dois e eu faço desconto. Depois, a técnica da novela: - Amiga, me ajuda, estou a precisar, leva só um pra me ajudar.
E a lenga-lenga vai até você entrar no carro. Eles ficam do lado de fora falando algo que eu nao sei porque eu nao leio lábios.
E se você nao está de carro, como eu e a Claudia naquele dia, eles vao andando atrás. Mesmo depois dela ser categórica: - Amigo, eu NAO quero, percebeu?
Em Sao Paulo a gente já ia achar que o ambulante ia nos atacar, assaltar e surrar. Ele só continua andando atrás... por mais dois quarteiroes. Parece que ele está de sacanagem, mas essa nada mais é do que a famosa técnica de vencer pelo cansaço.










1 de dez. de 2009

Eleiçoes, por Johannes Beck

"Pérola da cooperação no Oceano Índico", "democracia exemplar" e "país africano de sucesso". Nos últimos tempos, instituições como o Banco Mundial, a União Europeia e o Governo federal alemão, não pouparam elogios à boa governação e à democratização em Moçambique. Mas as eleições de 28 de Outubro, apesar de bem organizadas e executadas, acusam defeitos de monta.

O incumprimento da lei pela CNE

A falta mais grave foi cometida pela Comissão Nacional de Eleições, quando excluiu as listas da terceira força política emergente, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) de nove dos 13 círculos eleitorais do país. Um número de outros pequenos partidos também foi excluído da votação.
A Comissão Nacional de Eleições justificou a sua decisão com a falha dos candidatos de entregar documentos como o certificado de registo criminal. Mas apesar de insistir no respeito à letra da lei por parte dos candidatos, a própria comissão não cumpriu os regulamentos. Por exemplo, recusou ao MDM um prazo para a entrega dos documentos em falta, assim como a possibilidade de substituir os candidatos.
Trata-se de uma violação clara da lei. Além disso, aquela entidade não justificou, até hoje, detalhadamente, as suas decisões, vedando o acesso a documentos relevantes.

Freliminização

Outras ocorrências tornaram estas eleições pouco justas. Os candidatos da FRELIMO recorreram sem pejo a recursos do Estado. Por exemplo, usando regularmente carros de serviço da administração pública para a deslocação durante a campanha eleitoral.Não é novidade para ninguém que em Moçambique é cada vez mais difícil distinguir entre a administração pública e o partido FRELIMO.
Desde a tomada de posse do Presidente, Armando Guebuza, em 2004, os funcionários do país sofrem uma pressão enorme para aderirem ao partido governamental.
A FRELIMO reserva para os seus membros os cargos mais importantes, vedando o acesso à administração aos especialistas independentes.

Os doadores internacionais deviam agir

Chegou a altura dos países doadores reivindicarem claramente uma maior democratização. O primeiro passo poderia ser a suspensão ou a redução drástica dos apoios directos alemães ao Orçamento de Estado de Maputo. Afinal de contas, entre as condições impostas pelo governo alemão para a concessão da ajuda orçamental destacam-se a boa governação e o respeito pelas regras da democracia.
Este seria um sinal inequívoco e bastante doloroso para o Governo de Moçambique. Metade do Orçamento de Estado é financiado directamente por ajudas externas. O que não impediria que fossem levados avante os projectos em curso em Moçambique financiados pelos doadores, uma vez que é mais fácil controlar a aplicação financeira neste contexto.
Ainda não é tarde para salvar a democracia em Moçambique. Mas para isso é necessário que os países doadores tornem explícita a necessidade de uma mudança de rumo da FRELIMO.
É preciso impedir que se repitam eleições injustas como as de 28 de Outubro passado.

Autor: Johannes Beck, Deutsche Welle

26 de nov. de 2009

IDH


De acordo com o IDH da UNDP, dos 116 países classificados, Moçambique é o que mais melhorou sua qualidade de vida em relaçao a 1990: quase 50%.
A UNDP usa como parâmetros renda, longevidade e educaçao.
Claro que existem muitas críticas à esse índice. A principal crítica é que o conceito de desenvolvimento humano é muito mais complexo do que se poderia captar um índice composto por esses critérios, e que estes indicadores talvez nao sejam os mais adequados.
Nao é um campeonato onde se pode comemorar 1º 2º ou 3º lugar... mas nao custa divulgar. No link da UNDP é possível ler o relatório sobre Mozambique.

11 de nov. de 2009

Ponta do Ouro

Fim de semana passado fomos para Ponta do Ouro. Fica no extremo sul de Moçambique, na fronteira com a África do Sul.
Tirando a parte pra chegar e a parte pra ir embora, a viagem foi ótima. Na estrada passamos pela Reserva Natural de Maputo, e você tem a chance de fazer o que podemos chamar de "rodeio dentro do carro". Sabe quando o peao chacoalha em cima do touro? É assim que faz o carro com você. Durante 3horas e meia. É óbvio que nós erramos o caminho, entao 4horas.










Meu palpite é que eles ficaram felizes de ir pra praia... ou pensam que sao os novos tartarugas ninja.


4 de nov. de 2009

Vidrex

Eu tô vendo que o Vidrex nao dura nessa casa... E hoje descobri o porquê. A Esther passa vidrex em tudo. É vidrex na mesa de madeira, vidrex nos livros pra tirar poeira, nas prateleiras e no sofá de couro. Essa na foto é a Esther... com cara de quem passou vidrex em tudo quanto é lugar, menos no vidro.

9 de ago. de 2009

Casamento

(as fotos estao ruins pq tirei com celular... mas dá pra ver a noiva)


2 de ago. de 2009

Inhaca


Inhaca

Nesse fim de semana resolvemos ir para Inhaca com mais três brasileiros.
Inhaca é uma ilha pequena, mas tem grande importância turística, pelos seus recifes de coral e praias. Toda a zona costeira, uma duna com vegetação natural, é protegida como reserva integral, assim como a próxima ilha dos Portugueses.
Estava tudo bem até a ida de barco começar e as duas horas parecerem intermináveis. Tudo bem também que nao tava muito calor pra mergulhar no mar. Tudo bem também que lá tem mosquito pra dar e vender. Tudo bem que apareceram dois ratos no quarto. Também tudo bem que o cara que cuidava da casinha que ficamos tinha cara de louco, olhar de louco, voz de louco e jeito de louco.
Tudo bem que quando os ratos e o louco apareceram de noite, resolvemos dormir em outro lugar. Tudo bem, fomos andando pela praia, com as mochilas, pra um hotel civilizado que tem na ilha. Tudo bem que era mais caro.
No dia seguinte pegamos um barco pra ilha dos Portugueses. A água é muito clara e em outubro é possível ver baleias.
Tudo bem que nesse dia nao fez sol. Na verdade teve uma tempestade. Mas tudo bem.
Quando a chuva tinha diminuído fomos encontrar o barco pra voltar. Tudo bem que o barco mal conseguia parar no pier pras pessoas entrarem nele, de tanto que ventava e o mar o balançava. Até aí tudo bem.
Mas aí o barco começou a andar. Ele nao andava. Ele quicava. Batia nas ondas que faziam o maior splash na proa. Subia e descia das ondas tipo um brinquedo do Hopihari. Nao, do Playcenter, que é mais perigoso.
Perguntamos se nao dava pra voltar. Quicando. Aí alguém perguntou pro tio do barco, se a gente ia chegar. Eu esperei ele dizer "há de chegar". Mas ele disse: só Deus que sabe.
Eu chorei de medo. E o pessoal vomitou de enjoo. Mas agora tudo bem.









10 de jul. de 2009

Marrabenta

Ontem estava lendo este cartaz no C.Cultural Franco-Moçambicano. O Roman chegou e me disse que tem gente que diz que ele - Dilon Djindji - é o rei da marrabenta (mais ou menos o que o samba é no Brasil vai) enquanto outros dizem que o rei é Fany Mpfumo, que já morreu, mas isso nao vem ao caso.


Eis que de repente me vem andando um velhinho na nossa direçao. Era o próprio. Roman me apresentou e conversamos com o velhinho. Mui-to simpático.
Depois me explicou que o ritmo se chama assim porque refere-se ao arrebentar das cordas das violas improvisadas (que amarra e arrebenta).
Fazendo uma pesquisa pra nao escrever bobagem, encontrei um site que diz que "O que Dilon Djindji toca é a Mâgika (rural e tradicional) e não a Marrabenta (suburbana) com instrumentos modernos ocidentais, que daria a música ligeira e não tradicional. O rei da Marrabenta, Fany Mpfumo, era adolescente (anos 1940) quando assistia no Comoreano onde havia sessões de Jazz, Rumba cubana e Samba tocada por marinheiros brasileiros, norte-americanos, cubanos em jam sessions com músicos moçambicanos."
Sorte tem o Roberto Carlos, que nao tem que disputar o trono com ninguém.